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This content is from the original TvindAlert.com (2001-2022), preserved for historical and research purposes. Some images or documents may be unavailable.

RTP Portugal television investigation

To see the entire RTP investigation click:  http://programas.rtp.pt/gesnews/index_e.php?cod_sec=100

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English summary

From the RTP web site:

No final do ano 2000, a ateno de um jovem portugus, desejoso no s de uma oportunidade de emprego mas tambm de dedicar o seu tempo a uma organizao internacional, foi captada por um apelativo anncio afixado no Instituto Portugus da Juventude, em Lisboa - "HUMANA - Procuram-se voluntrios para trabalhar em projectos humanitrios de desenvolvimento".

Ricardo Tom tomou a iniciativa de contactar a dita organizao.
Foi ento informado que para participar neste projecto de voluntariado teria que pagar 2500 coroas dinamarquesas, (350 euros) por cada ms de frequncia, nas escolas da HUMANA.
Foi-lhe dito, inclusivamente, que a "HUMANA People to People" desenvolvia, naquele momento, mais de 150 projectos em frica e mobilizando mais de 300.000 pessoas supervisionadas por cerca de 3.000 instrutores, devidamente, credenciados.
Ricardo, face s elevadas quantias exigidas, acabou por no abraar a causa.
Mas h quem tenha aderido e pago uma factura elevada. Joo Albergaria, engenheiro zootcnico, um caso exemplar.
Aps ter obtido o contacto da organizao, atravs de um anncio semelhante aos que semanalmente so publicados no Expresso ("Volunteers needed for Zambia and China"), Joo partiu, em Abril de 1996, motivado pelo esprito de misso para a escola "Den Reisende Hogskole", da UFF (outra das designaes da HUMANA), na Noruega.

A formao "humanitria" pela qual tinha pago mais de 2.500 euros no correspondia de todo ao esprito anunciado.

"Parti de corao aberto, sem defesas. Tinha a sensao de estar a abraar uma causa justa e digna" mas, passado alguns meses, percebeu que "algo estava mal".

Uma das regras da organizao, contratualizada, logo chegada escola, a obrigatoriedade de os alunos recolherem durante os seis meses de durao do curso, cerca de 6.000 euros atravs da venda de postais.
"A venda de postais e a lavagem cerebral para futura assimilao no Teachers Group so os principais objectivos do dito curso de preparao", relembrou o engenheiro.
Joo revelou, por outro lado, a existncia de uma situao de "guerra permanente" entre formadores e formandos "guerra" que inclua "insultos pessoais, presso sobre os alunos atravs de reunies interminveis, lavagem cerebral e tentativa de aniquilao da auto-confiana de cada um".

Exemplo desta situao foram "dois casos de pessoas que perderam, no decorrer dos seis meses, toda a autoconfiana, sentindo-se incapazes e desistindo de ir para frica ltima da hora".

A recolha de roupa processa-se "em toda a Europa em contentores colocados estrategicamente. Camies alugados pela organizao transportam-nas para armazns onde feita a triagem da mesma, de acordo com o tipo de peas e sua qualidade", revelou Joo, que trabalhou em armazns na Finlndia e Noruega.

Uma vez chegado Zmbia, o jovem portugus apercebeu-se que os ditos "investimentos nos recursos humanos da organizao eram os voluntrios, subordinados ao princpio do "tempo, trabalho e dinheiro em comum".

Em contraste com esta "franciscana" realidade, a representante da HUMANA auferia um salrio mensal de 4.200 euros. Durante o meio ano em que esteve, na Zmbia, Joo considera que "no aprendeu nada dada a grosseira falta de preparao dos professores".

Em suma, o ex-voluntrio descreve a HUMANA como a "testa de ferro de uma seita".
Joo Albergaria escreveu, entretanto, uma "carta-denncia" s autoridades dinamarquesas e deu vrios depoimentos, quer em Portugal quer no estrangeiro.
Actualmente, est integrado num projecto humanitrio.

A HUMANA adoptou, no continente africano, uma das suas mltiplas designaes, a de Ajuda de Desenvolvimento de Povo para Povo (ADPP).

Esta associao, segundo a HUMANA, "fornece roupa para financiar diversas actividades em pases africanos", nomeadamente, Angola, Guin-Bissau, Moambique, Zmbia, Zimbabwe, etc.

Segundo a informao disponibilizada pela organizao na Internet, a ADPP gere "projectos de ajuda ao desenvolvimento", com pendor humnitrio: escolas, programas agrcolas, sanitrios e campanhas de preveno da SIDA.
A ADPP controla, ainda, empresas altamente produtivas e sofisticadas como as plantaes de eucalipto e trigo, no Zimbabwe.

Em Angola, o orfanato da ADPP, no Caxito, na provncia do Huambo tornou-se, internacionalmente, famoso quando, em Julho, de 2000, cerca de meia centena de crianas foram raptadas por rebeldes pertencentes UNITA. O assunto causou comoo, a nvel mundial, embora tenha tido um final, relativamente, feliz com o regresso das crianas, ss e salvas. Ao orfanato da ADPP, no Caxito.
Este incidente foi, curiosamente, omitido da
"homepage" da ADPP, em Angola.
Em declaraes RTP Multimedia, o antigo mdico pessoal de Jonas Savimbi e representante da Unita, Carlos Morgado, afirmou "a ADPP est intimamente ligada s Foras Armadas Angolanas e ao Futungo de Belas (presidncia)".
Mas as ligaes da ADPP ao poder angolano no se esgotam aqui. A responsvel da organizao, em Angola, a dinamarquesa Rikhe Vikholm integra o Conselho de Curadores e a Comisso Permanente do Conselho de Curadores da
Fundao Eduardo dos Santos (FESA). O conhecido membro da UNITA referiu, ainda, as ligaes existentes entre a ADPP e certas organizaes consideradas internacionalmente "pouco transparentes ou mesmo mafiosas, como por exemplo a multinacional petrolfera Ranger Oil".
Por sua vez, o movimento TVIND ALERT, ou Movimento Contra a TVIND/Humana/ADPP
www.tvindalert.org fundado, em 1992, pelo escritor dinamarqus , Bent Johannesen denunciou a teia de relaes que liga a ADPP ao dinheiro das companhias petrolferas e as alegadas relaes com a SONANGOL, a Companhia Nacional de Petrleo.
A Unio Europeia deu instrues aos seus Gabinetes, em Moambique, Tanznia, Zimbabwe e Nambia para no terem qualquer contacto com a ADPP - alegando que os projectos da organizao no beneficiavam os autctones, pelo contrrio, a roupa vendida a to baixo preo, dado que obtida gratuitamente e distribuda graas ao trabalho do voluntariado, prejudicava o comrcio local.

Numa tentativa de credibilizar a sua actuao perante a opinio pblica, mas acima de tudo, perante as Empresas e os Governos que colaboram com a Organizao, a ADPP disponibilizou, no seu "site", uma listagem das instituies com as quais mantm parcerias. Estamos, obviamente, a falar de apoio logstico e monetrio. Um dos parceiros citados a prestigiada ONG, Oxfam International. Contudo, em resposta a um "mail" da RTP Multimedia, a Oxfam refere que "os contactos com a ADPP so escassos e evitados".

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