📚 Historical Archive Notice

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Madeireira bancada por entidade
filantrpica dinamarquesa agride
leis brasileiras na Bahia

VEJA, Brazil, 11 de julho de 2001

Flvia Varella

Uma fazenda com o tamanho de duas Florianpolis, esquecida na erma divisa entre Gois e Bahia, esconde um segredo. Tida na regio como uma empresa que atrasa salrios, demite sempre por justa causa, no fornece equipamentos de segurana e probe seus empregados de sair da fazenda por perodos de quinze dias, a Floryl foi comprada com dinheiro de organizaes beneficentes. A triste ironia veio tona h duas semanas. Durante uma investigao de sonegao fiscal, a polcia dinamarquesa descobriu um documento que indica como proprietria da Floryl a Tvind, uma entidade que atua em vrios pases com diversos nomes entre eles os conhecidos Humana e Planet Aid e arrecada dinheiro e roupas usadas para ajudar os pobres do Terceiro Mundo e criar "um mundo melhor".

A serraria dentro da fazenda de 88 000 hectares: operao comercial

Na vizinha cidade de Posse, a 50 quilmetros da fazenda, ningum acredita que a Floryl, uma madeireira que explora uma floresta de pnus e eucaliptos plantada no cerrado baiano h mais de vinte anos, possa ter ligao com filantropia, humanismo ou qualquer coisa do bem. "A Floryl a pior empresa da regio. Eles so injustos, no respeitam leis trabalhistas e tratam mal os funcionrios", afirma Oton Pereira Lima, presidente do sindicato dos trabalhadores rurais de Posse. "Filantropia?", espanta-se o padre Moacir Santana. "Isso malandragem. Eles no fazem nada pelos pobres aqui." No Ministrio do Trabalho, chovem denncias contra a Floryl, segundo o chefe de fiscalizao do trabalho do Distrito Federal, Ivando Pinto da Silva. Ele diz que a empresa tem problemas com recolhimento do FGTS, atrasa pagamentos, no oferece equipamentos de segurana individuais e tem problemas de insalubridade nos alojamentos. Silva enviou h dez dias o relatrio ao Ministrio Pblico. "J aplicamos multas inmeras vezes, mas eles no resolvem os problemas."

Curso na favela Irregularidades, escndalos, maus-tratos e desvio de verbas so palavras constantemente associadas Tvind, uma organizao qual se atribui um patrimnio de centenas de milhes de dlares. O "movimento", como dizem seus membros, comeou em 1970 como uma escola de inspirao esquerdista e libertria. O lder era o dinamarqus Amdi Petersen, que dois anos antes havia rodado o mundo num nibus com colegas e vivenciado as agruras do Terceiro Mundo. A idia era reformar o mundo reformando a conscincia das pessoas. Hoje o grupo Tvind tem cerca de quarenta escolas sob nomes diferentes em cada parte do mundo. Uma delas, a americana IICD, tem um curso tpico dos oferecidos pela rede. Dos seis meses de curso, os alunos passam trs em uma comunidade do interior do Paran e nas favelas do Recife. Custa 3.800 dlares.

Funcionrios no corte das rvores: chovem denncias de problemas trabalhistas        Fotos Selmy Yassuda

Os primeiros milhes de dlares chegaram atravs das escolas. Alm do pagamento dos alunos, o governo subsidiava os salrios dos professores, que abriam mo de seus vencimentos em prol do movimento. Em 1977, o grupo criou seu primeiro brao filantrpico, a UFF, que recolhia roupas usadas recebidas em doao e as vendia para, teoricamente, bancar projetos sociais e tambm polticos na frica. As escolas e as entidades humanitrias se espalharam. Os caixotes amarelos de coleta de roupas da UFF, Humana e Planet Aid tornaram-se parte da paisagem europia e, mais recentemente, da americana tambm.

Seita Os professores das escolas, membros do que se chama Teachers Group, aparecem como donos de empresas com sede em parasos fiscais como as ilhas de Cayman e Jersey. Atravs dessas empresas, a cpula da Tvind seria dona de um imprio que inclui fazendas na Amrica Latina, edifcios comerciais, uma rede de TV por satlite, empresas de computao e navegao, condomnios residenciais e comerciais em Miami e nas Ilhas Cayman e uma rede de mais de 100 lojas de roupas usadas. A Tvind foi investigada em vrios pases. Na Frana, o governo concluiu que o negcio de coleta de roupas usadas era uma operao lucrativa, e no beneficente. Na Inglaterra, as autoridades mandaram acabar com negcio semelhante sob o nome de Humana, mas eles reabriram como Planet Aid. Uma investigao na Sucia revelou que apenas 2% do dinheiro obtido com a venda das roupas doadas era usado em caridade. Relatrios dos governos da Frana e da Blgica acusam a Tvind de ser uma seita.

No final dos anos 80, a Tvind criou uma fundao e recebeu verbas de cerca de 9 milhes de dlares para ser aplicadas em projetos de pesquisa cientfica, ambientais ou humanitrios. Parte do dinheiro foi usada para a compra da Floryl, em 1994, um negcio de 9,25 milhes de dlares. Como a Floryl uma empresa que vende madeira, trata-se de uma operao comercial e ainda por cima nada humanitria como os brasileiros do sudoeste baiano sabem muito bem. Assim, o repasse de dinheiro teria sido crime. A Tvind nega ser dona da Floryl, como de qualquer outra empresa que lhe atribuda. A compra foi feita em nome da Bahia Farming, com sede na Ilha de Jersey, que, embora j tenha mudado sua denominao e composio societria pelo menos nove vezes, sempre teve entre os scios nomes de pessoas ligadas ao Teachers Group. Thomas Vaeth e Lars Jensen, que assinaram a compra da Floryl, so citados por ex-membros como integrantes da cpula da Tvind. Vaeth aparece tambm em outro documento obtido por VEJA como scio principal de outra fazenda no Brasil, a Baldum, que produz meles no municpio de Ipanguau, no Rio Grande do Norte. Seu endereo pessoal no documento o mesmo da Floryl. Questionado se integrante do Teachers Group, o dinamarqus Lars Jensen, que comanda a fazenda, diz no ter interesse em falar de sua vida pessoal.

VEJA, Brazil, 11 de julho de 2001

Flvia Varella

Uma fazenda com o tamanho de duas Florianpolis, esquecida na erma divisa entre Gois e Bahia, esconde um segredo. Tida na regio como uma empresa que atrasa salrios, demite sempre por justa causa, no fornece equipamentos de segurana e probe seus empregados de sair da fazenda por perodos de quinze dias, a Floryl foi comprada com dinheiro de organizaes beneficentes. A triste ironia veio tona h duas semanas. Durante uma investigao de sonegao fiscal, a polcia dinamarquesa descobriu um documento que indica como proprietria da Floryl a Tvind, uma entidade que atua em vrios pases com diversos nomes entre eles os conhecidos Humana e Planet Aid e arrecada dinheiro e roupas usadas para ajudar os pobres do Terceiro Mundo e criar "um mundo melhor".

A serraria dentro da fazenda de 88 000 hectares: operao comercial

Na vizinha cidade de Posse, a 50 quilmetros da fazenda, ningum acredita que a Floryl, uma madeireira que explora uma floresta de pnus e eucaliptos plantada no cerrado baiano h mais de vinte anos, possa ter ligao com filantropia, humanismo ou qualquer coisa do bem. "A Floryl a pior empresa da regio. Eles so injustos, no respeitam leis trabalhistas e tratam mal os funcionrios", afirma Oton Pereira Lima, presidente do sindicato dos trabalhadores rurais de Posse. "Filantropia?", espanta-se o padre Moacir Santana. "Isso malandragem. Eles no fazem nada pelos pobres aqui." No Ministrio do Trabalho, chovem denncias contra a Floryl, segundo o chefe de fiscalizao do trabalho do Distrito Federal, Ivando Pinto da Silva. Ele diz que a empresa tem problemas com recolhimento do FGTS, atrasa pagamentos, no oferece equipamentos de segurana individuais e tem problemas de insalubridade nos alojamentos. Silva enviou h dez dias o relatrio ao Ministrio Pblico. "J aplicamos multas inmeras vezes, mas eles no resolvem os problemas."

Curso na favela Irregularidades, escndalos, maus-tratos e desvio de verbas so palavras constantemente associadas Tvind, uma organizao qual se atribui um patrimnio de centenas de milhes de dlares. O "movimento", como dizem seus membros, comeou em 1970 como uma escola de inspirao esquerdista e libertria. O lder era o dinamarqus Amdi Petersen, que dois anos antes havia rodado o mundo num nibus com colegas e vivenciado as agruras do Terceiro Mundo. A idia era reformar o mundo reformando a conscincia das pessoas. Hoje o grupo Tvind tem cerca de quarenta escolas sob nomes diferentes em cada parte do mundo. Uma delas, a americana IICD, tem um curso tpico dos oferecidos pela rede. Dos seis meses de curso, os alunos passam trs em uma comunidade do interior do Paran e nas favelas do Recife. Custa 3.800 dlares.

Funcionrios no corte das rvores: chovem denncias de problemas trabalhistas        Fotos Selmy Yassuda

Os primeiros milhes de dlares chegaram atravs das escolas. Alm do pagamento dos alunos, o governo subsidiava os salrios dos professores, que abriam mo de seus vencimentos em prol do movimento. Em 1977, o grupo criou seu primeiro brao filantrpico, a UFF, que recolhia roupas usadas recebidas em doao e as vendia para, teoricamente, bancar projetos sociais e tambm polticos na frica. As escolas e as entidades humanitrias se espalharam. Os caixotes amarelos de coleta de roupas da UFF, Humana e Planet Aid tornaram-se parte da paisagem europia e, mais recentemente, da americana tambm.

Seita Os professores das escolas, membros do que se chama Teachers Group, aparecem como donos de empresas com sede em parasos fiscais como as ilhas de Cayman e Jersey. Atravs dessas empresas, a cpula da Tvind seria dona de um imprio que inclui fazendas na Amrica Latina, edifcios comerciais, uma rede de TV por satlite, empresas de computao e navegao, condomnios residenciais e comerciais em Miami e nas Ilhas Cayman e uma rede de mais de 100 lojas de roupas usadas. A Tvind foi investigada em vrios pases. Na Frana, o governo concluiu que o negcio de coleta de roupas usadas era uma operao lucrativa, e no beneficente. Na Inglaterra, as autoridades mandaram acabar com negcio semelhante sob o nome de Humana, mas eles reabriram como Planet Aid. Uma investigao na Sucia revelou que apenas 2% do dinheiro obtido com a venda das roupas doadas era usado em caridade. Relatrios dos governos da Frana e da Blgica acusam a Tvind de ser uma seita.

No final dos anos 80, a Tvind criou uma fundao e recebeu verbas de cerca de 9 milhes de dlares para ser aplicadas em projetos de pesquisa cientfica, ambientais ou humanitrios. Parte do dinheiro foi usada para a compra da Floryl, em 1994, um negcio de 9,25 milhes de dlares. Como a Floryl uma empresa que vende madeira, trata-se de uma operao comercial e ainda por cima nada humanitria como os brasileiros do sudoeste baiano sabem muito bem. Assim, o repasse de dinheiro teria sido crime. A Tvind nega ser dona da Floryl, como de qualquer outra empresa que lhe atribuda. A compra foi feita em nome da Bahia Farming, com sede na Ilha de Jersey, que, embora j tenha mudado sua denominao e composio societria pelo menos nove vezes, sempre teve entre os scios nomes de pessoas ligadas ao Teachers Group. Thomas Vaeth e Lars Jensen, que assinaram a compra da Floryl, so citados por ex-membros como integrantes da cpula da Tvind. Vaeth aparece tambm em outro documento obtido por VEJA como scio principal de outra fazenda no Brasil, a Baldum, que produz meles no municpio de Ipanguau, no Rio Grande do Norte. Seu endereo pessoal no documento o mesmo da Floryl. Questionado se integrante do Teachers Group, o dinamarqus Lars Jensen, que comanda a fazenda, diz no ter interesse em falar de sua vida pessoal.

Flvia Varella

Uma fazenda com o tamanho de duas Florianpolis, esquecida na erma divisa entre Gois e Bahia, esconde um segredo. Tida na regio como uma empresa que atrasa salrios, demite sempre por justa causa, no fornece equipamentos de segurana e probe seus empregados de sair da fazenda por perodos de quinze dias, a Floryl foi comprada com dinheiro de organizaes beneficentes. A triste ironia veio tona h duas semanas. Durante uma investigao de sonegao fiscal, a polcia dinamarquesa descobriu um documento que indica como proprietria da Floryl a Tvind, uma entidade que atua em vrios pases com diversos nomes entre eles os conhecidos Humana e Planet Aid e arrecada dinheiro e roupas usadas para ajudar os pobres do Terceiro Mundo e criar "um mundo melhor".

A serraria dentro da fazenda de 88 000 hectares: operao comercial

Na vizinha cidade de Posse, a 50 quilmetros da fazenda, ningum acredita que a Floryl, uma madeireira que explora uma floresta de pnus e eucaliptos plantada no cerrado baiano h mais de vinte anos, possa ter ligao com filantropia, humanismo ou qualquer coisa do bem. "A Floryl a pior empresa da regio. Eles so injustos, no respeitam leis trabalhistas e tratam mal os funcionrios", afirma Oton Pereira Lima, presidente do sindicato dos trabalhadores rurais de Posse. "Filantropia?", espanta-se o padre Moacir Santana. "Isso malandragem. Eles no fazem nada pelos pobres aqui." No Ministrio do Trabalho, chovem denncias contra a Floryl, segundo o chefe de fiscalizao do trabalho do Distrito Federal, Ivando Pinto da Silva. Ele diz que a empresa tem problemas com recolhimento do FGTS, atrasa pagamentos, no oferece equipamentos de segurana individuais e tem problemas de insalubridade nos alojamentos. Silva enviou h dez dias o relatrio ao Ministrio Pblico. "J aplicamos multas inmeras vezes, mas eles no resolvem os problemas."

Curso na favela Irregularidades, escndalos, maus-tratos e desvio de verbas so palavras constantemente associadas Tvind, uma organizao qual se atribui um patrimnio de centenas de milhes de dlares. O "movimento", como dizem seus membros, comeou em 1970 como uma escola de inspirao esquerdista e libertria. O lder era o dinamarqus Amdi Petersen, que dois anos antes havia rodado o mundo num nibus com colegas e vivenciado as agruras do Terceiro Mundo. A idia era reformar o mundo reformando a conscincia das pessoas. Hoje o grupo Tvind tem cerca de quarenta escolas sob nomes diferentes em cada parte do mundo. Uma delas, a americana IICD, tem um curso tpico dos oferecidos pela rede. Dos seis meses de curso, os alunos passam trs em uma comunidade do interior do Paran e nas favelas do Recife. Custa 3.800 dlares.

Funcionrios no corte das rvores: chovem denncias de problemas trabalhistas        Fotos Selmy Yassuda

Os primeiros milhes de dlares chegaram atravs das escolas. Alm do pagamento dos alunos, o governo subsidiava os salrios dos professores, que abriam mo de seus vencimentos em prol do movimento. Em 1977, o grupo criou seu primeiro brao filantrpico, a UFF, que recolhia roupas usadas recebidas em doao e as vendia para, teoricamente, bancar projetos sociais e tambm polticos na frica. As escolas e as entidades humanitrias se espalharam. Os caixotes amarelos de coleta de roupas da UFF, Humana e Planet Aid tornaram-se parte da paisagem europia e, mais recentemente, da americana tambm.

Seita Os professores das escolas, membros do que se chama Teachers Group, aparecem como donos de empresas com sede em parasos fiscais como as ilhas de Cayman e Jersey. Atravs dessas empresas, a cpula da Tvind seria dona de um imprio que inclui fazendas na Amrica Latina, edifcios comerciais, uma rede de TV por satlite, empresas de computao e navegao, condomnios residenciais e comerciais em Miami e nas Ilhas Cayman e uma rede de mais de 100 lojas de roupas usadas. A Tvind foi investigada em vrios pases. Na Frana, o governo concluiu que o negcio de coleta de roupas usadas era uma operao lucrativa, e no beneficente. Na Inglaterra, as autoridades mandaram acabar com negcio semelhante sob o nome de Humana, mas eles reabriram como Planet Aid. Uma investigao na Sucia revelou que apenas 2% do dinheiro obtido com a venda das roupas doadas era usado em caridade. Relatrios dos governos da Frana e da Blgica acusam a Tvind de ser uma seita.

No final dos anos 80, a Tvind criou uma fundao e recebeu verbas de cerca de 9 milhes de dlares para ser aplicadas em projetos de pesquisa cientfica, ambientais ou humanitrios. Parte do dinheiro foi usada para a compra da Floryl, em 1994, um negcio de 9,25 milhes de dlares. Como a Floryl uma empresa que vende madeira, trata-se de uma operao comercial e ainda por cima nada humanitria como os brasileiros do sudoeste baiano sabem muito bem. Assim, o repasse de dinheiro teria sido crime. A Tvind nega ser dona da Floryl, como de qualquer outra empresa que lhe atribuda. A compra foi feita em nome da Bahia Farming, com sede na Ilha de Jersey, que, embora j tenha mudado sua denominao e composio societria pelo menos nove vezes, sempre teve entre os scios nomes de pessoas ligadas ao Teachers Group. Thomas Vaeth e Lars Jensen, que assinaram a compra da Floryl, so citados por ex-membros como integrantes da cpula da Tvind. Vaeth aparece tambm em outro documento obtido por VEJA como scio principal de outra fazenda no Brasil, a Baldum, que produz meles no municpio de Ipanguau, no Rio Grande do Norte. Seu endereo pessoal no documento o mesmo da Floryl. Questionado se integrante do Teachers Group, o dinamarqus Lars Jensen, que comanda a fazenda, diz no ter interesse em falar de sua vida pessoal.

Uma fazenda com o tamanho de duas Florianpolis, esquecida na erma divisa entre Gois e Bahia, esconde um segredo. Tida na regio como uma empresa que atrasa salrios, demite sempre por justa causa, no fornece equipamentos de segurana e probe seus empregados de sair da fazenda por perodos de quinze dias, a Floryl foi comprada com dinheiro de organizaes beneficentes. A triste ironia veio tona h duas semanas. Durante uma investigao de sonegao fiscal, a polcia dinamarquesa descobriu um documento que indica como proprietria da Floryl a Tvind, uma entidade que atua em vrios pases com diversos nomes entre eles os conhecidos Humana e Planet Aid e arrecada dinheiro e roupas usadas para ajudar os pobres do Terceiro Mundo e criar "um mundo melhor".

A serraria dentro da fazenda de 88 000 hectares: operao comercial

Na vizinha cidade de Posse, a 50 quilmetros da fazenda, ningum acredita que a Floryl, uma madeireira que explora uma floresta de pnus e eucaliptos plantada no cerrado baiano h mais de vinte anos, possa ter ligao com filantropia, humanismo ou qualquer coisa do bem. "A Floryl a pior empresa da regio. Eles so injustos, no respeitam leis trabalhistas e tratam mal os funcionrios", afirma Oton Pereira Lima, presidente do sindicato dos trabalhadores rurais de Posse. "Filantropia?", espanta-se o padre Moacir Santana. "Isso malandragem. Eles no fazem nada pelos pobres aqui." No Ministrio do Trabalho, chovem denncias contra a Floryl, segundo o chefe de fiscalizao do trabalho do Distrito Federal, Ivando Pinto da Silva. Ele diz que a empresa tem problemas com recolhimento do FGTS, atrasa pagamentos, no oferece equipamentos de segurana individuais e tem problemas de insalubridade nos alojamentos. Silva enviou h dez dias o relatrio ao Ministrio Pblico. "J aplicamos multas inmeras vezes, mas eles no resolvem os problemas."

Curso na favela Irregularidades, escndalos, maus-tratos e desvio de verbas so palavras constantemente associadas Tvind, uma organizao qual se atribui um patrimnio de centenas de milhes de dlares. O "movimento", como dizem seus membros, comeou em 1970 como uma escola de inspirao esquerdista e libertria. O lder era o dinamarqus Amdi Petersen, que dois anos antes havia rodado o mundo num nibus com colegas e vivenciado as agruras do Terceiro Mundo. A idia era reformar o mundo reformando a conscincia das pessoas. Hoje o grupo Tvind tem cerca de quarenta escolas sob nomes diferentes em cada parte do mundo. Uma delas, a americana IICD, tem um curso tpico dos oferecidos pela rede. Dos seis meses de curso, os alunos passam trs em uma comunidade do interior do Paran e nas favelas do Recife. Custa 3.800 dlares.

Funcionrios no corte das rvores: chovem denncias de problemas trabalhistas        Fotos Selmy Yassuda

Os primeiros milhes de dlares chegaram atravs das escolas. Alm do pagamento dos alunos, o governo subsidiava os salrios dos professores, que abriam mo de seus vencimentos em prol do movimento. Em 1977, o grupo criou seu primeiro brao filantrpico, a UFF, que recolhia roupas usadas recebidas em doao e as vendia para, teoricamente, bancar projetos sociais e tambm polticos na frica. As escolas e as entidades humanitrias se espalharam. Os caixotes amarelos de coleta de roupas da UFF, Humana e Planet Aid tornaram-se parte da paisagem europia e, mais recentemente, da americana tambm.

Seita Os professores das escolas, membros do que se chama Teachers Group, aparecem como donos de empresas com sede em parasos fiscais como as ilhas de Cayman e Jersey. Atravs dessas empresas, a cpula da Tvind seria dona de um imprio que inclui fazendas na Amrica Latina, edifcios comerciais, uma rede de TV por satlite, empresas de computao e navegao, condomnios residenciais e comerciais em Miami e nas Ilhas Cayman e uma rede de mais de 100 lojas de roupas usadas. A Tvind foi investigada em vrios pases. Na Frana, o governo concluiu que o negcio de coleta de roupas usadas era uma operao lucrativa, e no beneficente. Na Inglaterra, as autoridades mandaram acabar com negcio semelhante sob o nome de Humana, mas eles reabriram como Planet Aid. Uma investigao na Sucia revelou que apenas 2% do dinheiro obtido com a venda das roupas doadas era usado em caridade. Relatrios dos governos da Frana e da Blgica acusam a Tvind de ser uma seita.

No final dos anos 80, a Tvind criou uma fundao e recebeu verbas de cerca de 9 milhes de dlares para ser aplicadas em projetos de pesquisa cientfica, ambientais ou humanitrios. Parte do dinheiro foi usada para a compra da Floryl, em 1994, um negcio de 9,25 milhes de dlares. Como a Floryl uma empresa que vende madeira, trata-se de uma operao comercial e ainda por cima nada humanitria como os brasileiros do sudoeste baiano sabem muito bem. Assim, o repasse de dinheiro teria sido crime. A Tvind nega ser dona da Floryl, como de qualquer outra empresa que lhe atribuda. A compra foi feita em nome da Bahia Farming, com sede na Ilha de Jersey, que, embora j tenha mudado sua denominao e composio societria pelo menos nove vezes, sempre teve entre os scios nomes de pessoas ligadas ao Teachers Group. Thomas Vaeth e Lars Jensen, que assinaram a compra da Floryl, so citados por ex-membros como integrantes da cpula da Tvind. Vaeth aparece tambm em outro documento obtido por VEJA como scio principal de outra fazenda no Brasil, a Baldum, que produz meles no municpio de Ipanguau, no Rio Grande do Norte. Seu endereo pessoal no documento o mesmo da Floryl. Questionado se integrante do Teachers Group, o dinamarqus Lars Jensen, que comanda a fazenda, diz no ter interesse em falar de sua vida pessoal.

A serraria dentro da fazenda de 88 000 hectares: operao comercial

Na vizinha cidade de Posse, a 50 quilmetros da fazenda, ningum acredita que a Floryl, uma madeireira que explora uma floresta de pnus e eucaliptos plantada no cerrado baiano h mais de vinte anos, possa ter ligao com filantropia, humanismo ou qualquer coisa do bem. "A Floryl a pior empresa da regio. Eles so injustos, no respeitam leis trabalhistas e tratam mal os funcionrios", afirma Oton Pereira Lima, presidente do sindicato dos trabalhadores rurais de Posse. "Filantropia?", espanta-se o padre Moacir Santana. "Isso malandragem. Eles no fazem nada pelos pobres aqui." No Ministrio do Trabalho, chovem denncias contra a Floryl, segundo o chefe de fiscalizao do trabalho do Distrito Federal, Ivando Pinto da Silva. Ele diz que a empresa tem problemas com recolhimento do FGTS, atrasa pagamentos, no oferece equipamentos de segurana individuais e tem problemas de insalubridade nos alojamentos. Silva enviou h dez dias o relatrio ao Ministrio Pblico. "J aplicamos multas inmeras vezes, mas eles no resolvem os problemas."

Curso na favela Irregularidades, escndalos, maus-tratos e desvio de verbas so palavras constantemente associadas Tvind, uma organizao qual se atribui um patrimnio de centenas de milhes de dlares. O "movimento", como dizem seus membros, comeou em 1970 como uma escola de inspirao esquerdista e libertria. O lder era o dinamarqus Amdi Petersen, que dois anos antes havia rodado o mundo num nibus com colegas e vivenciado as agruras do Terceiro Mundo. A idia era reformar o mundo reformando a conscincia das pessoas. Hoje o grupo Tvind tem cerca de quarenta escolas sob nomes diferentes em cada parte do mundo. Uma delas, a americana IICD, tem um curso tpico dos oferecidos pela rede. Dos seis meses de curso, os alunos passam trs em uma comunidade do interior do Paran e nas favelas do Recife. Custa 3.800 dlares.

Funcionrios no corte das rvores: chovem denncias de problemas trabalhistas        Fotos Selmy Yassuda

Os primeiros milhes de dlares chegaram atravs das escolas. Alm do pagamento dos alunos, o governo subsidiava os salrios dos professores, que abriam mo de seus vencimentos em prol do movimento. Em 1977, o grupo criou seu primeiro brao filantrpico, a UFF, que recolhia roupas usadas recebidas em doao e as vendia para, teoricamente, bancar projetos sociais e tambm polticos na frica. As escolas e as entidades humanitrias se espalharam. Os caixotes amarelos de coleta de roupas da UFF, Humana e Planet Aid tornaram-se parte da paisagem europia e, mais recentemente, da americana tambm.

Seita Os professores das escolas, membros do que se chama Teachers Group, aparecem como donos de empresas com sede em parasos fiscais como as ilhas de Cayman e Jersey. Atravs dessas empresas, a cpula da Tvind seria dona de um imprio que inclui fazendas na Amrica Latina, edifcios comerciais, uma rede de TV por satlite, empresas de computao e navegao, condomnios residenciais e comerciais em Miami e nas Ilhas Cayman e uma rede de mais de 100 lojas de roupas usadas. A Tvind foi investigada em vrios pases. Na Frana, o governo concluiu que o negcio de coleta de roupas usadas era uma operao lucrativa, e no beneficente. Na Inglaterra, as autoridades mandaram acabar com negcio semelhante sob o nome de Humana, mas eles reabriram como Planet Aid. Uma investigao na Sucia revelou que apenas 2% do dinheiro obtido com a venda das roupas doadas era usado em caridade. Relatrios dos governos da Frana e da Blgica acusam a Tvind de ser uma seita.

No final dos anos 80, a Tvind criou uma fundao e recebeu verbas de cerca de 9 milhes de dlares para ser aplicadas em projetos de pesquisa cientfica, ambientais ou humanitrios. Parte do dinheiro foi usada para a compra da Floryl, em 1994, um negcio de 9,25 milhes de dlares. Como a Floryl uma empresa que vende madeira, trata-se de uma operao comercial e ainda por cima nada humanitria como os brasileiros do sudoeste baiano sabem muito bem. Assim, o repasse de dinheiro teria sido crime. A Tvind nega ser dona da Floryl, como de qualquer outra empresa que lhe atribuda. A compra foi feita em nome da Bahia Farming, com sede na Ilha de Jersey, que, embora j tenha mudado sua denominao e composio societria pelo menos nove vezes, sempre teve entre os scios nomes de pessoas ligadas ao Teachers Group. Thomas Vaeth e Lars Jensen, que assinaram a compra da Floryl, so citados por ex-membros como integrantes da cpula da Tvind. Vaeth aparece tambm em outro documento obtido por VEJA como scio principal de outra fazenda no Brasil, a Baldum, que produz meles no municpio de Ipanguau, no Rio Grande do Norte. Seu endereo pessoal no documento o mesmo da Floryl. Questionado se integrante do Teachers Group, o dinamarqus Lars Jensen, que comanda a fazenda, diz no ter interesse em falar de sua vida pessoal.

Na vizinha cidade de Posse, a 50 quilmetros da fazenda, ningum acredita que a Floryl, uma madeireira que explora uma floresta de pnus e eucaliptos plantada no cerrado baiano h mais de vinte anos, possa ter ligao com filantropia, humanismo ou qualquer coisa do bem. "A Floryl a pior empresa da regio. Eles so injustos, no respeitam leis trabalhistas e tratam mal os funcionrios", afirma Oton Pereira Lima, presidente do sindicato dos trabalhadores rurais de Posse. "Filantropia?", espanta-se o padre Moacir Santana. "Isso malandragem. Eles no fazem nada pelos pobres aqui." No Ministrio do Trabalho, chovem denncias contra a Floryl, segundo o chefe de fiscalizao do trabalho do Distrito Federal, Ivando Pinto da Silva. Ele diz que a empresa tem problemas com recolhimento do FGTS, atrasa pagamentos, no oferece equipamentos de segurana individuais e tem problemas de insalubridade nos alojamentos. Silva enviou h dez dias o relatrio ao Ministrio Pblico. "J aplicamos multas inmeras vezes, mas eles no resolvem os problemas."

Curso na favela Irregularidades, escndalos, maus-tratos e desvio de verbas so palavras constantemente associadas Tvind, uma organizao qual se atribui um patrimnio de centenas de milhes de dlares. O "movimento", como dizem seus membros, comeou em 1970 como uma escola de inspirao esquerdista e libertria. O lder era o dinamarqus Amdi Petersen, que dois anos antes havia rodado o mundo num nibus com colegas e vivenciado as agruras do Terceiro Mundo. A idia era reformar o mundo reformando a conscincia das pessoas. Hoje o grupo Tvind tem cerca de quarenta escolas sob nomes diferentes em cada parte do mundo. Uma delas, a americana IICD, tem um curso tpico dos oferecidos pela rede. Dos seis meses de curso, os alunos passam trs em uma comunidade do interior do Paran e nas favelas do Recife. Custa 3.800 dlares.

Funcionrios no corte das rvores: chovem denncias de problemas trabalhistas        Fotos Selmy Yassuda

Os primeiros milhes de dlares chegaram atravs das escolas. Alm do pagamento dos alunos, o governo subsidiava os salrios dos professores, que abriam mo de seus vencimentos em prol do movimento. Em 1977, o grupo criou seu primeiro brao filantrpico, a UFF, que recolhia roupas usadas recebidas em doao e as vendia para, teoricamente, bancar projetos sociais e tambm polticos na frica. As escolas e as entidades humanitrias se espalharam. Os caixotes amarelos de coleta de roupas da UFF, Humana e Planet Aid tornaram-se parte da paisagem europia e, mais recentemente, da americana tambm.

Seita Os professores das escolas, membros do que se chama Teachers Group, aparecem como donos de empresas com sede em parasos fiscais como as ilhas de Cayman e Jersey. Atravs dessas empresas, a cpula da Tvind seria dona de um imprio que inclui fazendas na Amrica Latina, edifcios comerciais, uma rede de TV por satlite, empresas de computao e navegao, condomnios residenciais e comerciais em Miami e nas Ilhas Cayman e uma rede de mais de 100 lojas de roupas usadas. A Tvind foi investigada em vrios pases. Na Frana, o governo concluiu que o negcio de coleta de roupas usadas era uma operao lucrativa, e no beneficente. Na Inglaterra, as autoridades mandaram acabar com negcio semelhante sob o nome de Humana, mas eles reabriram como Planet Aid. Uma investigao na Sucia revelou que apenas 2% do dinheiro obtido com a venda das roupas doadas era usado em caridade. Relatrios dos governos da Frana e da Blgica acusam a Tvind de ser uma seita.

No final dos anos 80, a Tvind criou uma fundao e recebeu verbas de cerca de 9 milhes de dlares para ser aplicadas em projetos de pesquisa cientfica, ambientais ou humanitrios. Parte do dinheiro foi usada para a compra da Floryl, em 1994, um negcio de 9,25 milhes de dlares. Como a Floryl uma empresa que vende madeira, trata-se de uma operao comercial e ainda por cima nada humanitria como os brasileiros do sudoeste baiano sabem muito bem. Assim, o repasse de dinheiro teria sido crime. A Tvind nega ser dona da Floryl, como de qualquer outra empresa que lhe atribuda. A compra foi feita em nome da Bahia Farming, com sede na Ilha de Jersey, que, embora j tenha mudado sua denominao e composio societria pelo menos nove vezes, sempre teve entre os scios nomes de pessoas ligadas ao Teachers Group. Thomas Vaeth e Lars Jensen, que assinaram a compra da Floryl, so citados por ex-membros como integrantes da cpula da Tvind. Vaeth aparece tambm em outro documento obtido por VEJA como scio principal de outra fazenda no Brasil, a Baldum, que produz meles no municpio de Ipanguau, no Rio Grande do Norte. Seu endereo pessoal no documento o mesmo da Floryl. Questionado se integrante do Teachers Group, o dinamarqus Lars Jensen, que comanda a fazenda, diz no ter interesse em falar de sua vida pessoal.

Curso na favela Irregularidades, escndalos, maus-tratos e desvio de verbas so palavras constantemente associadas Tvind, uma organizao qual se atribui um patrimnio de centenas de milhes de dlares. O "movimento", como dizem seus membros, comeou em 1970 como uma escola de inspirao esquerdista e libertria. O lder era o dinamarqus Amdi Petersen, que dois anos antes havia rodado o mundo num nibus com colegas e vivenciado as agruras do Terceiro Mundo. A idia era reformar o mundo reformando a conscincia das pessoas. Hoje o grupo Tvind tem cerca de quarenta escolas sob nomes diferentes em cada parte do mundo. Uma delas, a americana IICD, tem um curso tpico dos oferecidos pela rede. Dos seis meses de curso, os alunos passam trs em uma comunidade do interior do Paran e nas favelas do Recife. Custa 3.800 dlares.

Funcionrios no corte das rvores: chovem denncias de problemas trabalhistas        Fotos Selmy Yassuda

Os primeiros milhes de dlares chegaram atravs das escolas. Alm do pagamento dos alunos, o governo subsidiava os salrios dos professores, que abriam mo de seus vencimentos em prol do movimento. Em 1977, o grupo criou seu primeiro brao filantrpico, a UFF, que recolhia roupas usadas recebidas em doao e as vendia para, teoricamente, bancar projetos sociais e tambm polticos na frica. As escolas e as entidades humanitrias se espalharam. Os caixotes amarelos de coleta de roupas da UFF, Humana e Planet Aid tornaram-se parte da paisagem europia e, mais recentemente, da americana tambm.

Seita Os professores das escolas, membros do que se chama Teachers Group, aparecem como donos de empresas com sede em parasos fiscais como as ilhas de Cayman e Jersey. Atravs dessas empresas, a cpula da Tvind seria dona de um imprio que inclui fazendas na Amrica Latina, edifcios comerciais, uma rede de TV por satlite, empresas de computao e navegao, condomnios residenciais e comerciais em Miami e nas Ilhas Cayman e uma rede de mais de 100 lojas de roupas usadas. A Tvind foi investigada em vrios pases. Na Frana, o governo concluiu que o negcio de coleta de roupas usadas era uma operao lucrativa, e no beneficente. Na Inglaterra, as autoridades mandaram acabar com negcio semelhante sob o nome de Humana, mas eles reabriram como Planet Aid. Uma investigao na Sucia revelou que apenas 2% do dinheiro obtido com a venda das roupas doadas era usado em caridade. Relatrios dos governos da Frana e da Blgica acusam a Tvind de ser uma seita.

No final dos anos 80, a Tvind criou uma fundao e recebeu verbas de cerca de 9 milhes de dlares para ser aplicadas em projetos de pesquisa cientfica, ambientais ou humanitrios. Parte do dinheiro foi usada para a compra da Floryl, em 1994, um negcio de 9,25 milhes de dlares. Como a Floryl uma empresa que vende madeira, trata-se de uma operao comercial e ainda por cima nada humanitria como os brasileiros do sudoeste baiano sabem muito bem. Assim, o repasse de dinheiro teria sido crime. A Tvind nega ser dona da Floryl, como de qualquer outra empresa que lhe atribuda. A compra foi feita em nome da Bahia Farming, com sede na Ilha de Jersey, que, embora j tenha mudado sua denominao e composio societria pelo menos nove vezes, sempre teve entre os scios nomes de pessoas ligadas ao Teachers Group. Thomas Vaeth e Lars Jensen, que assinaram a compra da Floryl, so citados por ex-membros como integrantes da cpula da Tvind. Vaeth aparece tambm em outro documento obtido por VEJA como scio principal de outra fazenda no Brasil, a Baldum, que produz meles no municpio de Ipanguau, no Rio Grande do Norte. Seu endereo pessoal no documento o mesmo da Floryl. Questionado se integrante do Teachers Group, o dinamarqus Lars Jensen, que comanda a fazenda, diz no ter interesse em falar de sua vida pessoal.

Funcionrios no corte das rvores: chovem denncias de problemas trabalhistas        Fotos Selmy Yassuda

Os primeiros milhes de dlares chegaram atravs das escolas. Alm do pagamento dos alunos, o governo subsidiava os salrios dos professores, que abriam mo de seus vencimentos em prol do movimento. Em 1977, o grupo criou seu primeiro brao filantrpico, a UFF, que recolhia roupas usadas recebidas em doao e as vendia para, teoricamente, bancar projetos sociais e tambm polticos na frica. As escolas e as entidades humanitrias se espalharam. Os caixotes amarelos de coleta de roupas da UFF, Humana e Planet Aid tornaram-se parte da paisagem europia e, mais recentemente, da americana tambm.

Seita Os professores das escolas, membros do que se chama Teachers Group, aparecem como donos de empresas com sede em parasos fiscais como as ilhas de Cayman e Jersey. Atravs dessas empresas, a cpula da Tvind seria dona de um imprio que inclui fazendas na Amrica Latina, edifcios comerciais, uma rede de TV por satlite, empresas de computao e navegao, condomnios residenciais e comerciais em Miami e nas Ilhas Cayman e uma rede de mais de 100 lojas de roupas usadas. A Tvind foi investigada em vrios pases. Na Frana, o governo concluiu que o negcio de coleta de roupas usadas era uma operao lucrativa, e no beneficente. Na Inglaterra, as autoridades mandaram acabar com negcio semelhante sob o nome de Humana, mas eles reabriram como Planet Aid. Uma investigao na Sucia revelou que apenas 2% do dinheiro obtido com a venda das roupas doadas era usado em caridade. Relatrios dos governos da Frana e da Blgica acusam a Tvind de ser uma seita.

No final dos anos 80, a Tvind criou uma fundao e recebeu verbas de cerca de 9 milhes de dlares para ser aplicadas em projetos de pesquisa cientfica, ambientais ou humanitrios. Parte do dinheiro foi usada para a compra da Floryl, em 1994, um negcio de 9,25 milhes de dlares. Como a Floryl uma empresa que vende madeira, trata-se de uma operao comercial e ainda por cima nada humanitria como os brasileiros do sudoeste baiano sabem muito bem. Assim, o repasse de dinheiro teria sido crime. A Tvind nega ser dona da Floryl, como de qualquer outra empresa que lhe atribuda. A compra foi feita em nome da Bahia Farming, com sede na Ilha de Jersey, que, embora j tenha mudado sua denominao e composio societria pelo menos nove vezes, sempre teve entre os scios nomes de pessoas ligadas ao Teachers Group. Thomas Vaeth e Lars Jensen, que assinaram a compra da Floryl, so citados por ex-membros como integrantes da cpula da Tvind. Vaeth aparece tambm em outro documento obtido por VEJA como scio principal de outra fazenda no Brasil, a Baldum, que produz meles no municpio de Ipanguau, no Rio Grande do Norte. Seu endereo pessoal no documento o mesmo da Floryl. Questionado se integrante do Teachers Group, o dinamarqus Lars Jensen, que comanda a fazenda, diz no ter interesse em falar de sua vida pessoal.

Os primeiros milhes de dlares chegaram atravs das escolas. Alm do pagamento dos alunos, o governo subsidiava os salrios dos professores, que abriam mo de seus vencimentos em prol do movimento. Em 1977, o grupo criou seu primeiro brao filantrpico, a UFF, que recolhia roupas usadas recebidas em doao e as vendia para, teoricamente, bancar projetos sociais e tambm polticos na frica. As escolas e as entidades humanitrias se espalharam. Os caixotes amarelos de coleta de roupas da UFF, Humana e Planet Aid tornaram-se parte da paisagem europia e, mais recentemente, da americana tambm.

Seita Os professores das escolas, membros do que se chama Teachers Group, aparecem como donos de empresas com sede em parasos fiscais como as ilhas de Cayman e Jersey. Atravs dessas empresas, a cpula da Tvind seria dona de um imprio que inclui fazendas na Amrica Latina, edifcios comerciais, uma rede de TV por satlite, empresas de computao e navegao, condomnios residenciais e comerciais em Miami e nas Ilhas Cayman e uma rede de mais de 100 lojas de roupas usadas. A Tvind foi investigada em vrios pases. Na Frana, o governo concluiu que o negcio de coleta de roupas usadas era uma operao lucrativa, e no beneficente. Na Inglaterra, as autoridades mandaram acabar com negcio semelhante sob o nome de Humana, mas eles reabriram como Planet Aid. Uma investigao na Sucia revelou que apenas 2% do dinheiro obtido com a venda das roupas doadas era usado em caridade. Relatrios dos governos da Frana e da Blgica acusam a Tvind de ser uma seita.

No final dos anos 80, a Tvind criou uma fundao e recebeu verbas de cerca de 9 milhes de dlares para ser aplicadas em projetos de pesquisa cientfica, ambientais ou humanitrios. Parte do dinheiro foi usada para a compra da Floryl, em 1994, um negcio de 9,25 milhes de dlares. Como a Floryl uma empresa que vende madeira, trata-se de uma operao comercial e ainda por cima nada humanitria como os brasileiros do sudoeste baiano sabem muito bem. Assim, o repasse de dinheiro teria sido crime. A Tvind nega ser dona da Floryl, como de qualquer outra empresa que lhe atribuda. A compra foi feita em nome da Bahia Farming, com sede na Ilha de Jersey, que, embora j tenha mudado sua denominao e composio societria pelo menos nove vezes, sempre teve entre os scios nomes de pessoas ligadas ao Teachers Group. Thomas Vaeth e Lars Jensen, que assinaram a compra da Floryl, so citados por ex-membros como integrantes da cpula da Tvind. Vaeth aparece tambm em outro documento obtido por VEJA como scio principal de outra fazenda no Brasil, a Baldum, que produz meles no municpio de Ipanguau, no Rio Grande do Norte. Seu endereo pessoal no documento o mesmo da Floryl. Questionado se integrante do Teachers Group, o dinamarqus Lars Jensen, que comanda a fazenda, diz no ter interesse em falar de sua vida pessoal.

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